Dia do Vereador: um dia de reflexão sobre o que esperamos dos legislativos municipais

Coluna do jornalista Sérgio Lerrer para o Pro Legislativo.

Há muitas histórias boas a contar de mandatos de vereadores nos legislativos municipais, mesmo que boa parte da população e da imprensa não percebam.

Nos últimos anos ocorreu certa renovação de vereadores em todo Brasil. As vezes decorrido do voto, as vezes decorrido de improbidades denunciadas e julgadas pelos Tribunais de Contas,  ou processos do Ministério Público e Polícia Federal.  Nada muito diferente do panorama da política nacional.

Entretanto, muitas mesas diretoras entenderam que os tempos de transparência vieram para ficar,  e vem mudando a ética interna no uso dos recursos públicos e nas contratações.  Assim como, o fortalecimento da comunicação  tem melhorado a percepção da produtividade das casas legislativas.

Agora, com a força e o custo baixo da internet, não tem mais desculpas para uma sessão não ser transmitida ao vivo. Ou não ser publicada nas redes sociais. Ou uma Câmara Municipal não ter site.

Ao mesmo tempo vereadores com baixa intensidade de atuação não tem visibilidade, o que acaba levando mandatos fracos ao esquecimento.

A soma de obrigações de transparência, mais comunicação e redes sociais,  passou a gerar uma competição positiva, entre as casas legislativas de uma mesma região, e também entre os vereadores. Como consequência foi criada uma dinâmica de avanços, maiores em algumas câmaras municipais, menores em outras, mas de forma geral estão procurando correr atrás e fazer a lição de casa. Ou então prosseguirão ouvindo gritos e opiniões de que câmaras municipais podem fechar e não fazem mais sentido…

Não é minha opinião.

Penso que a população espera melhorias progressivas em suas cidades, mais bem estar e qualidade de vida, mais atividade econômica e uma rede de serviços públicos honesta e bem estruturada.

Existem vereadores mais preparados para estes desafios, a procura de estratégias para as quais eles nem sempre têm vivência prévia, e uma grande quantidade de vereadores de pouco preparo e sem saber o que fazer com o seu mandato, a não ser votar a favor ou contra o prefeito.

Assistencialismo de gabinete não é mais a saída e vem perdendo adeptos porque é inadequado, tem resultados tópicos e cheira à velha política.

Precisamos então é de mais vereadores que saibam o que fazer, com mais criatividade política e visão crítica sobre suas cidades.

Apenas saber como não cair em improbidade e como funcionam os processos legislativos é uma obrigação e não pode ser objetivo de mandato.

Objetivo deveria ser melhorarem suas cidades e não só a vida de quem procura o gabinete ou estiver próximo de seus interesses e sua base eleitoral.

Há um grande campo a ser preenchido e depende de qualidade. Meu desejo é que a competição positiva entre câmaras municipais e,  entre vereadores, seja mais acirrada, tendo como resultante uma pressão para resultados a favor da sociedade.

Então cumprimento neste dia os vereadores que honram seus mandatos e o voto obtido. Torcendo que a meritocracia seja a principal regra para serem apreciados e valorizados.

Sérgio Lerrer é especialista em comunicação legislativa e Publisher do Pro Legislativo.